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terça-feira, 24 de maio de 2011

ALL OF JAZZ

Por Miguel Lopes



Pode-se dizer que a história desse apaixonado pelo gênero musical nascido na América do Norte, verdadeira enciclopédia viva desse suingue de alma negra, tocado e festejado no mundo inteiro, se confunde com esse incrível espaço que ele criou há 15 anos.
Verdadeiro templo do jazz, Deleuse, proprietário do All Of Jazz, criou um reduto de excelência desse ritmo que contagia a todos os que apreciam música de qualidade.
Pois é, essa casa nascida em 15/08/1995 guarda várias surpresas interessantes, a começar pela data de sua inauguração, mesmo dia e mês que nasceu, há 85 anos, o patrono do bar, Oscar Peterson, virtuoso pianista que encantava as plateias onde se apresentava.
Outra marca registrada do All Of Jazz fica no andar superior, composto por um espaço cultural com várias publicações do gênero disponíveis para consulta e uma charmosa loja musical com CDs à venda. Ali você pode encontrar raridades e clássicos do jazz, selecionados a dedo e trazidos diretamente dos EUA pelo mestre Deleuse.
Não para por aí o espírito criativo do ex-executivo de multinacional que transformou seu sonho em realidade, quebrando a sua maratona na noite paulista para curtir boa música, passando a administrador do seu próprio espaço, privilegiando e acolhendo talentosos músicos da rica boemia paulistana. A cada dia um grupo diferente, instrumental ou vocal, tem a oportunidade de mostrar a sua arte para um público seleto que se beneficia com uma gama variada de estilos.
Além disso, dentro da programação musical da casa, existem as homenagens aos monstros sagrados do jazz e de um ritmo brasileiro nascido sob sua influência, a bossa nova. Assim, nas semanas que abraçam as datas de nascimento e morte dos grandes nomes do jazz/bossa nova, o repertório musical é todo dedicado ao homenageado.
All Off Jazz, incrível, ambiente intimista, decorado com pôsteres de Billie Holiday, Miles Davis, Charlie Parker e outros não menos importantes é frequentado por pessoas de bom gosto, que  curtem uma noitada agradável, excelente música, bebericando um bom uísque escocês, um bourbon ou um destilado de sua preferência. Quem não abre mão de um bom vinho, a casa aceita que leve um especial de sua adega particular, cobrando simbólicos R$ 25,00.
O bar é essencialmente musical, mas, se bater uma fominha, o cardápio oferece triviais porém  bons aperitivos, logicamente batizados com os nomes dos principais artistas do gênero. Nesse departamento, eu recomendo os canapés como o delicioso Sarah Vaughan, torradinhas encimadas por um aromático carpaccio de salmão e tomate seco, ou o Ella Fitzgerald, misto de filé e salmão. Para saborear alguns pastéis, sempre bem sequinhos, é só chamar pelo Pat Metheny ou, se preferir iscas de filé com molho catupiry, é só pedir pelo John Coltrane.
O show time começa às 22h00 de segunda a quinta e às 23h00 nas sextas, sábados, feriados e vésperas de feriados. O couvert artístico é de R$ 10,00 de segunda a quarta, R$ 15,00 às quintas e R$ 22,00 aos sábados e vésperas de feriados.

All Off Jazz
Rua João Cachoeira, 1366
Abre de segunda a sexta a partir das 19h30 até o último cliente.
Aos sábados e feriados das 21h00 até o último cliente.
Descansa aos domingos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

RABO DE PEIXE BOTECO

Por Miguel Lopes


A história de sucesso desse bar começou em outras paragens, na verdade, há doze anos. Naquela época era frequentado por uma turba de jovens que lotava, não só o bar como as calçadas, dando vida e iluminando aquele efervescente ponto de encontro lá na Vila Olímpia.

Hoje o Rabo de Peixe, mais maduro, localizado em outra vila boêmia, a pulsante Vila Madalena, recebe um público mais exigente, que valoriza música ambiente e boa conversa, em vez da “muvuca” do antigo ponto.

A casa segue a velha e infalível fórmula para atrair e cativar o seu público, mantendo o bom atendimento, brigada treinada e afinada e, claro, produtos de qualidade.

Ocupando um imóvel de dois andares, o piso inferior tem pé direito alto e um enorme painel colorido na parede de fundo que confere ao ambiente um clima alegre e descontraído. No andar superior, mais reservado, oferece um espaço com uma bela e desafiadora mesa de sinuca, que atrai os apreciadores do esporte para, entre um gole e outro, darem boas tacadas com os amigos.

Um detalhe interessante que não passa despercebido fica logo na entrada, trata-se de uma estação multicor de caipirinhas, com as cores emprestadas pela grande variedade de frutas e outros ingredientes especiais de onde saem algumas especialidades do mais legítimo drinque brasileiro. Elas podem ser preparadas com uma das excelentes cachaças mineiras ou nas versões ramificadas da receita original com vodka ou sakê. Nessa última versão, para o deleite dos adeptos às harmonizações etílico-gastronômicas, a imperdível caipirinha Mandarin (sakê, manga, lichia e tangerina) combina maravilhosamente com as ostras frescas que chegam diariamente de Florianópolis, criadas em uma fazenda de propriedade dos donos do bar.

As surpresas não param por aí, o tratamento para o serviço do chopp é outro destaque, com câmara fria, maquinário e chopeira desenvolvidos especialmente para o Rabo de Peixe. Desse complexo sai o líquido dourado e cristalino da torneira sem pressão e o creme denso e brilhante da torneira pressurizada, note bem, por gás nitrogênio no lugar do dióxido de carbono, nos moldes daquela, mundialmente famosa, cerveja irlandesa.

O chopp, qualidade Eisenbahn, oferecido em três variações, cristal, dunkel e weizenbier, é servido na temperatura e colarinho corretos. Para assegurar a leveza, são utilizados copos de parede fina, cujo design dos anos 1950 inspirou o nome da casa. Isto mesmo, o nome Rabo de Peixe veio do copo escolhido pelos proprietários e são produzidos até hoje numa tradicional vidraria pelo método artesanal de sopragem.

Para fechar, uma passada pela cozinha, afinal aquele reforço estratégico é fundamental para seguir a noitada. Nesse setor, além dos petiscos típicos de boteco, uma boa pedida é a excelente picanha argentina, preparada na brasa, ou a calabresa de metro de produção caseira, escoltada por uma crocante polenta. Outro destaque fica com a divina e deliciosa meca (atum branco) grelhada, que chega à mesa no ponto certo, nota dez na investida culinária marítima.

Trocando a noite pelo dia, muito boa a sociável e apetitosa feijoada servida em buffet, com música ao vivo de primeira qualidade, formada por violão sete cordas, cavaquinho, percussão e voz, interpretando clássicos da bossa nova e MPB, o sábado fica perfeito. Se alguém perguntar por mim...

Rabo de Peixe Boteco
Rua Wisard, 138 Fone: (011)3031-8110
Segundas às sextas-feiras das 12h00 às 15h00 e das 17h00 à 01h00
Sábados, domingos e feriados das 12h00 à 01h00
Cartões de crédito e débito Visa e Redecard

quarta-feira, 11 de maio de 2011

BAR DO GIBA

Por Miguel Lopes


Talento, dom, carisma, visão, não sei... O fato é que o ex-bancário começou sua trajetória de sucesso a partir de um convite, provavelmente meio sem querer, mas certamente com muita vontade e disposição para o trabalho.

Explicando melhor, o fato se deu mais ou menos assim: “da rotina diária dos intervalos para o merecido almoço no bar/restaurante próximo à agência onde trabalhava, o Giba, paulista filho de mineiros, foi convidado pelos proprietários do estabelecimento, que naquela altura já mantinham um relacionamento de amizade, para compor sociedade num pequeno botequim localizado numa região, à época, cercado de prédios em edificação”.

Como nada é fácil, a nova experiência exigiu um certo traquejo, é claro que a clientela não podia ser outra, operários das várias obras em andamento que entre um petisco e outro enxugavam mais de 25 garrafas de “pura marvada” por dia. Assim, a rotina bancária passou para o dia a dia de comerciante de bebidas, entenda pinga servida no copo americano e eventuais “rabos de galo” ou espremidinhas, respectivamente pinga com cinzano e pinga com limão, tendo como diferencial o belo almoço servido para os pedreiros que chegavam com uma fome de antes de ontem.

Bem, já dá para imaginar, o tempo foi passando, as obras acabando, a clientela rareando e o cenário sofrendo uma mudança radical. Novos clientes apareciam para uma cervejinha no final da tarde, antes do jantar no lar doce lar, que, apesar de esporádicos, certamente eram bem distintos dos antigos frequentadores.

Diante do novo quadro, medidas urgentes se faziam necessárias. Com a saída dos sócios, o Giba iniciou seu voo solo, dando asas à imaginação visando, logicamente, manter vivo o seu negócio e conquistar a nova e potencial freguesia que desfilava diariamente diante de seus olhos. A coisa começou com uma ajeitada na casa, um toque aqui outro acolá, introdução de pasteizinhos para acompanhar a cervejinha. Assim, na base do boca a boca foi ganhando fama, aumentando a frequência na chamada happy hour.

Nascia o Bar do Giba que, com criatividade, o apoio de seu fiel escudeiro e chef Roberto, Esqueminha para os íntimos, e uma excelente equipe de trabalho, com destaque para as atenciosas meninas que atendem o salão principal esbanjando simpatia, transformou-se no ponto de maior agitação de Moema.

A casa, convenientemente ampliada para comportar a legião de pessoas que diariamente lotam o bar, é decorada com motivos futebolísticos e referências a várias personalidades do samba, as duas paixões do Giba.

Lá as cervejas, entre tradicionais, artesanais e algumas importadas, chegam à mesa trincando, podendo ser acompanhadas por boas cachaças de várias origens com predominância mineira ou pelas deliciosas e variadas caipirinhas, preparadas no capricho pelos competentes barmen.
Não peça cardápio, quesito inexistente no Bar do Giba, solicite uma das meninas, que prontamente lhe dará orientações precisas sobre os petiscos da casa, com um detalhe, serviço sempre acompanhado de um sorriso simpático que nenhum cardápio oferece.

Anote aí em sua agenda, todas as quintas-feiras a casa serve um tenro e macio pernil assado com cebola e pimentões, daqueles de lamber os beiços, a dica é reservar a sua porção ao chegar, caso contrário, “ficarás” só nos aromas. Além dessa iguaria, no dia a dia você pode pedir uma deliciosa porção de carne-seca desfiada preparada em duas versões, acebolada com aipim ou a denominada Gonzagão, que chega à mesa acompanhada de jerimum, macaxeira e batata-doce.

Pois é, caro leitor, só indo até lá para conhecer todas as surpresas que esse delicioso e legítimo boteco nos reserva. Fui!

Bar do Giba
Av. Moaci, 574 – esquina com a Al. Anapurus
Fone: 5535-9220
Abre de segunda à sexta-feira das 17h30 até 01h00
Aos sábados a partir das 13h00 até 01h00
Não são aceitos cartões de crédito e débito

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ZUR ALTEN MÜHLE

Por Miguel Lopes


Trinta anos, isso mesmo, três décadas serão comemoradas neste ano por um dos mais autênticos bares com sotaque alemão da cidade de São Paulo.

Localizado no Brooklin, a história do Zur Alten Mühle se confunde com a do próprio bairro, assistiu sua transformação, de área com vocação industrial para um aglomerado de condomínios residenciais, lá se instalou, permanece e certamente continuará por longa data, para a felicidade não só da numerosa comunidade alemã que se concentra na região, mas também para os paulistanos que valorizam a boa acolhida e o atendimento amigável que nos faz sentir em casa.

E pensar que poderíamos não ter sido premiados com esse verdadeiro marco alemão, uma vez que a vinda ao Brasil do senhor Wilhelm, idealizador do Zur, e dos primos que o acompanhavam era passageira, apenas com a intenção de visitar um tio e prosseguir viagem para Argentina. Quis o destino que o grupo, talvez por sugestão do parente já radicado por aqui, talvez por paixão despertada pelo clima brasileiro, resolveu fixar raízes em solo paulista e abrir estabelecimentos em três diferentes segmentos comerciais, incluindo uma marcenaria na cidade de Embu das Artes.

Como no Embu a criação de móveis prosperava, o senhor Wilhelm costumava agrupar lá nos finais de semana os amigos da terra natal para matar as saudades e praticar a língua mãe. As conversas ficavam mais aquecidas quando era servida uma bebida que ele havia aprendido a preparar, chamada “caeperrinha”. Esse hábito foi atraindo um número crescente de imigrantes alemães, fato que originou a idéia de montar um bar para reunir a turma. Naturalmente que o local selecionado foi o Brooklin, bairro onde se concentrava a maior comunidade germânica da cidade de São Paulo.

Pois é, tanta longevidade e fiel clientela não ocorrem ao acaso, o Zur Alten Mühle, hoje, administrado pela segunda geração da família, além de manter a decoração original da casa, constituída por madeira de lei trazida de Minas Gerais e do sul brasileiro, continua oferecendo um atendimento de qualidade e, é claro, o serviço do chopp dentro dos princípios que rezam a tradição alemã.

Lá os barris são guardados em câmara fria, onde são mantidos por 24 horas, no mínimo, antes de serem conectados à chopeira composta por duas torneiras, uma só para o líquido levemente dourado (sem pressão) e a outra para formar o creme em pressão controlada, um pouco abaixo da normalmente praticada, técnica que confere leveza ao chopp que chega à mesa numa temperatura entre 3 e 5 graus, podendo ser escoltado por “snapps” de boa qualidade e procedência, entre alemães e nacionais, sem esquecer das boas cachaças que a casa oferece, simplesmente uma delícia.

Com tudo isso, se faz necessário e obrigatório pensar em alguma coisa, uma iguaria, um tempero para dar sustento ao corpo, já que a mente está bem cuidada. Nesse quesito outro diferencial do Zur Alten Mühle é a cozinha típica alemã, com pratos e porções preparados com esmero e muito capricho. Imperdíveis, o joelho de porco grelhado e o bolinho de carne crocante são acompanhamentos de excelência, como se diz na gíria, de tirar o chapéu. Opções mais leves mas não menos interessantes são os canapés, com destaque para os preparados com roast beef ou beef tartar.

Nesse ambiente aconchegante, tratamento cordial tocado por uma equipe de pelo menos dezoito anos de bons serviços, chopp de primeira e excelente comida, fica difícil ir embora. Prost!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

MADELEINE

Por Miguel Lopes


Em um trecho menos agitado da Rua Aspicuelta, num charmoso bangalô remodelado ao estilo colonial rústico e de muito bom gosto, utilizando madeira, vidro e paredes com tijolo aparente, funciona o recém- inaugurado Madeleine, nascido para fazer sucesso e marcar época.

Esse novo espaço é cercado de particularidades muito interessantes. Uma delas se refere à fase do projeto que almejava abrir um local de características diferentes das oferecidas pelos demais. A ideia, plenamente alcançada, era criar uma casa integrada com o espírito boêmio do bairro, com música ao vivo, que não fosse considerada uma casa de show, que tivesse boa comida sem que, por isso, passasse a ser chamada de restaurante, onde as pessoas pudessem conversar, bebericar ou degustar um bom vinho sem, contudo, ostentar o título de bar.

A outra curiosidade tem a ver com o imóvel, onde a proprietária mantinha, anteriormente, um show room de sua  fábrica de móveis, os quais, numa inusitada parceria, compõem boa parte da decoração do Madeleine, e podem ser adquiridos pelos frequentadores. Além disso, complementando o painel musical, gastronômico e enófilo, a casa promove exposições mensais de arte, cujas obras também estão disponíveis aos interessados.

Pois é, nesse espaço aconchegante, bem distribuído em seus vários ambientes – sala principal com mezanino, adega com área reservada para pequenos grupos e uma varanda panorâmica com lareira –, sem perceber o tempo passar, pode-se assistir apresentações notáveis de jazz ou, saborear as delícias preparadas no forno a lenha, não necessariamente nessa ordem.

No cardápio musical muito jazz de qualidade, entre o tradicional e o moderno, interpretado por artistas vocais ou instrumentais, a que você assiste acomodado no belo balcão do bar ou numa das mesas defronte ao palco ou no mezanino, numa viagem auditiva que passa obrigatoriamente por New Orleans, berço desse maravilhoso estilo musical. 

Não menos caprichadas são as sugestões gastronômicas. Aliás, nesse quesito, os produtos de alta qualidade e de atestada procedência, são exigências que garantem o sabor dos pratos criativos e originais, constantes do menu minuciosamente elaborado.
São várias as sugestões, começando com  tomate de rama confitado, escoltado por pão de azeite, burrata e salumeria ou o delicioso ceviche de peixe branco, marinado de pupunha e vinagrete de gengibre.  Gratas surpresas são as opções saídas do forno a lenha, a exemplo do crôute de mignon, filé encapado com foie, champignons e camembert. Capítulo a à parte fica por conta das pizzas de autor, batizadas de pizza-bistrô. O diferencial se inicia no formato, lá as redondas são ovais, preparadas com massas aromatizadas que harmonizam com as coberturas muito criativas. Imperdível a elaborada com massa à tinta de lula, acompanhada por camarões, brie, erva-doce e alcachofrinhas ou a  massa ao vinho tinto que leva champignons, aspargos, camembert de cabra, passas e parma.  
Como ninguém é de ferro, do bar saem drinques bem elaborados, porém a aposta da casa está nos vinhos. No terreno de Bacco, o Madeleine oferece uma carta com mais de 70 rótulos, entre Velho e Novo Mundo, com preços justos, conferindo excelente custo- benefício.  Tim-tim. 

MADELEINE
Rua Aspicuelta, 201 – telefone: 2936-0616 – www.madeleine.com.br
Abre de terça a domingo a partir das 19:h30h

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Melograno

Por Miguel Lopes

A coisa começou, como tantas outras, com um desejo, um sonho que foi aos poucos se concretizando. No caso em questão, o objetivo era criar um espaço voltado ao universo do entretenimento, particularmente do setor ligado aos comes e bebes.
Da determinação para a concretização foram vários passos, tipo plano, programa e projeto. Enfim, diante do imóvel escolhido, dentre tantos outros avaliados, a ideia  saiu do papel e tomou corpo, cedendo lugar à maratona do quebra, mexe, arruma, pinta e decora. Obra concluída, o sonho estava materializado, pronto para a tão esperada inauguração.
Com o nome inspirado no belo pé de romã, árvore unanimamente mantida no aconchegante quintal, o Melograno abria as suas portas, presenteando os paulistas com um belo ponto de encontro e lazer.
O desafio estava lançado, enquanto quatro dos cinco sócios imbuídos nas tarefas administrativo-financeiras e burocrático-alfandegárias tocam as questões, digamos, mais comerciais. O quinto elemento, nada menos do que o cervejólogo Edu Passarelli, jovem com amplo conhecimento no vastíssimo campo das cervejas e com formação em gastronomia, assumiu a batuta do setor de entretenimento, propriamente dito. Assim, de maneira competente, profissional e com boa dose de criatividade, o mago das loiras, ruivas e morenas foi transmitindo a sua paixão pessoal para o Melograno, moldando aos poucos a personalidade da casa.
Com um arsenal de cervejas de várias procedências, contando com aproximadamente 160 marcas, composto pelas três famílias, as Ales (alta fermentação), Largers (baixa fermentação) e as Lambics de fermentação espontânea, o Melograno recebe todos os que ali chegam, tanto iniciados como iniciantes, para apreciar sua cerveja preferida ou conhecer novos sabores.
Do cardápio, criado em consonância com os vários tipos de cerveja, de modo a facilitar a harmonização, existem delícias saídas de um forno a lenha instalado na parte dos fundos, próximo do pé de romã e de uma mesa redonda disputadíssima.
Das ofertas de sanduíche, todos ao forno, espetacular o que leva o nome da casa, feito com ragu de cordeiro na cerveja escura e molho de romã, assado na hora, acompanhado pelo estupendo chopp Guinness, que também combina muito bem com o recheado de espinafre, queijo tipo gorgonzola e uva verde. Outra boa opção fica por conta das duas maravilhosas versões de cebolas recheadas, uma aos quatro queijos e a outra à carbonara (pancetta, creme de leite e parmesão), envoltas em papel-alumínio e, claro, assadas no forno, chegam à mesa fumegantes – prove em conjunto com uma bela cerveja da família Ale. Uma boa iniciativa, são os almoços servidos às sextas, sábados e domingos.
Além disso, o Melograno oferece cursos rápidos sobre cervejas, ministrados pelo próprio Edu, e desenvolve programas temáticos como o que está em pleno andamento, batizado de “Uma viagem pelo mundo da cerveja” que aborda um país produtor a cada mês. Neste final de ano o tema será sobre o Brasil, com uma gama de cervejarias artesanais surpreendente. Prost

MELOGRANO

Rua Aspicuelta, 436 – Vila Madalena
Terça a Quinta e Domingos: das 18h às 24h
Sextas e Sábados: das 18h até 01h
Almoço nas sextas, sábados e domingos a partir das 12h
Fone: (011) 3031-2921

segunda-feira, 11 de abril de 2011

GENÉSIO ALGO A MAIS

Por Miguel Lopes


Quando se tem uma equação com os ingredientes experiência, conhecimento, motivação e história, o produto final só pode ser entretenimento de qualidade e bom gosto.

Pois é, a experiência e o conhecimento vêm de longa estrada percorrida com muito brilho, iniciada com o inesquecível Clube do Choro, espaço de grandes noitadas envolvidas por rodas musicais no estilo que emprestou o nome à casa; seguido pelo saudoso Vou Vivendo, delícia de espaço com shows intimistas memoráveis, onde não se percebia o tempo passar; chegando ao Filial, ponto boêmio no amplo sentido da palavra, onde, de repente, rola uma roda de MPB no estilo banquinho e violão, é mole? Já a motivação é item que sobra para os irmãos Altman, que trazem no bojo uma carreira marcada pelo sucesso, premiando o paulistano com lugares que marcaram e ainda marcam época.
A história entra como tempero inspirador na criação desse espaço localizado no coração da Vila Madalena. A coisa começou pela escolha do local, uma simpática borracharia. Desse namoro, o proprietário da loja de reparação de pneumáticos não só cedeu o ponto como o seu nome para batizar o que veio a ser um autêntico boteco, assim nasceu o Genésio.
Com esse currículo, o Genésio desde o início já mostrava que veio para marcar presença como destaque na Vila Madalena, bairro rico em história, retratada nas paredes do bar e no cardápio com alusões a alguns personagens ilustres como o Zé das Três, assim conhecido pois, nos salões de baile que freqüentava, dançava sempre com as mesmas três senhoras.
Normalmente cheio, público eclético, sejam grupos que curtem a happy hour, as turmas intermediárias ou os apaixonados pelas altas horas, o Genésio acolhe muito bem todas as tribos, atraindo igualmente turmas de amigos, casais, famílias... todos sempre bem atendidos pela equipe competente de profissionais, sendo que alguns acompanham os Altman desde os primórdios.
No setor etílico, além do carro-chefe da casa, “Sua Majestade o Chopp Brahma”, tirado com maestria na temperatura e no ponto cremoso como deve ser, o Genésio tem uma carta de cachaças limitada mas com as marcas clássicas comandadas pelas insuperáveis mineiras, uma boa quantidade de uísques e boas caipirinhas, preparadas com o destilado (em dose dupla) de sua preferência.

Entre um gole e outro, um tira-gosto se torna indispensável, aí surge outro diferencial do Genésio, a sua cozinha que oferece a qualquer hora uma gama de petiscos diferenciados, pratos bem elaborados e até pizzas crocantes, todos de qualidade e sabor bem acima da média.
Não deixe de provar a polenta de colher com frutos do mar ou os bolinhos de risoto com shitake. Se a fome apertar, sem problema, experimente as massas preparadas na casa ou o interessante peito de pato com molho de buriti, acompanhado de risoto do chefe feito com arroz selvagem negro e legumes. Para fechar com chave de ouro e quebrar possíveis excessos, o caldinho de feijão-branco é a pedida.

GENÉSIO – Rua Fidalga, 259
Fone: 3812-6252
De segunda a segunda até o último cliente

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Casa do Espeto



Que tal uma fuga do convencional e conhecer um lugar que foge um pouco do estilo desta coluna, porém não menos interessante do que aqueles que já estamos acostumados a frequentar? Muita calma nessa hora, já que o assunto desta seção é da maior importância, ou seja, a boa prática da ”botecagem” deveria ser encarada como modalidade olímpica.
Pois é, estou falando da mais nova unidade da Casa do Espeto, localizada num dos bairros que antes abrigavam residências edificadas em amplos terrenos, com belos jardins, as quais deram espaço para imponentes arranha-céus, centros comerciais e, claro, promovendo e atraindo a instalação de vários pontos de entretenimento e muito agito, isso mesmo, trata-se do subdistrito de Moema.
Concebida pelo arquiteto Ivan Carneiro, que buscou a ideia em outros estabelecimentos similares, porém com muita criatividade, imaginação e uma pitada de ousadia, a Casa do Espeto saiu do convencional, inovando e diversificando a oferta de produtos ao público que vem prestigiando de forma crescente a rede nascida há 8 anos e que, atualmente, conta com o reforço da simpática figura do Sr. Pedro na sociedade, homem com experiência, oportuna, na área do agronegócio.
Instalada num complexo de imóveis formado por cerca de 4 casas, com entrada pela Avenida dos Carinás, 520, a Casa do Espeto – Moema, oferece um espaço amplo, muito arejado, arborizado e agradável, formando um ambiente acolhedor muito bom para reunir os amigos e confortavelmente saborear os espetinhos servidos em sistema de rodízio. Aliás, tal sistema é muito conveniente, pois elimina as consultas ao cardápio e a espera do pedido selecionado, basta escolher sua cerveja, caipirinha ou outra bebida de sua preferência, acompanhada pelos vários espetos servidos à mesa, com fundo musical revezado entre gravação e música ao vivo.
Por falar em espetos, comece com os frios, os servidos com tomate seco, acompanhados com mussarela de búfala ou com fundo de alcachofra ou, ainda, com palmito pupunha e rúcula, são deliciosos e equilibrados. Na linha dos quentes, ou se preferir os saídos da churrasqueira, a casa oferece três opções, os tradicionais, os vegetarianos e os especiais. Nessa linha, considerando o vai e vem dos garçons, a dica para quem aprecia a comida bem quentinha é selecionar os espetos de saída da grelha, descartando os de retorno.
Dito isto, dos tradicionais vale provar o de queijo de coalho, os de calabresa com ou sem pimenta e os espetos de frango e de carne bovina temperados pelos fornecedores com uma receita exclusiva para a Casa do Espeto.
Na ala dos espetos especiais, não poderiam faltar o de camarão e os de peixe, estes nas opções atum ou salmão, envoltos por acelga, simplesmente deliciosos. Outro espeto obrigatório é o de cordeiro, acompanhado por um molho de hortelã preparado na casa, dos deuses!
Antes de sair, que tal adoçar a boca com um dos vários espetos de frutas envolvidas com uma bela camada de chocolate, barbaridade tchê.

CASA DO ESPETO
Avenida dos Carinás 520 – Moema
Fones : (011) 5092-5118 ou 5049-2321

Salommão Bar Restaurante

Por: Miguel Lopes

Pense num lugar gostoso e agradável onde você pode descontraidamente passar bons momentos de puro lazer. Pense que nesse lugar você vai deixar para trás o burburinho típico das grandes cidades, a irritação do trânsito e outras chateações, sem precisar sair de São Paulo.

Pois é, bem no meio da pulsação frenética desta nossa Super Cap, você encontra o SALOMMÃO, verdadeiro oásis de calmaria, resultado da árdua procura por um espaço com o perfil adequado para materializar o bar já formatado na cabeça da arquiteta Vera Mattos e de seu sócio Daniel. Como amor à primeira vista, os dois se encantaram com o velho sobrado e por sua história, aliás muito interessante, por se tratar da primeira residência da Av. Angélica. Construído em estilo normando por um artesão de origem alemã no final do século XIX, com suas características originais fielmente mantidas, é hoje tombado pelo patrimônio histórico.

O generoso recuo com árvores frutíferas compõe o primeiro ambiente, que lembra o quintal da vovó, depois temos três salas, duas no térreo, sendo uma delas reservada para pequenos grupos, e a terceira, no andar superior, toda decorada em madeira, mais intimista.

Esse bar, muito particular, promove a participação de grupos com o objetivo de debater temas como cinema, teatro e artes plásticas, além de integrar projetos como o book–crossing e o green-drink; neste, como sugere o nome, questões como sustentabilidade e meio ambiente são o centro das discussões, tudo isso regado por boa bebida. Por falar em bebida, é claro que você não precisa participar de um desses grupos para provar um dos 60 rótulos de cerveja entre nacionais e importadas ou degustar o excelente chopp Eisenbahn, nas versões clara e escura, produzido artesanalmente pela cervejaria catarinense de mesmo nome. No grupo dos destilados, vale a pena dar uma navegada na página das cachaças com uma variada e descritiva relação, distinguindo aquelas de produção industrial das artesanais, informando a origem, passagem por madeira e grau de envelhecimento. Para os enófilos, o bar oferece boas opções de vinho com alguns servidos em taça.

Da cozinha saem petiscos tradicionais de boteco e pratos bem elaborados, como o risoto de carne-seca ou a suculenta picanha na brasa. No quesito petiscos, boas pedidas são os bolinhos de arroz ou a porção de pastéis. Não deixe de provar os espetinhos, com destaque para o de queijo de coalho. Outras pedidas ficam por conta da linguiça de cordeiro ou do maravilhoso escondidinho preparado com carne-seca desfiada envolvida em purê de batata e gratinado no forno.

Ah, no Salommão tem música ao vivo no estilo banquinho e violão, uma delícia.

Salommão Bar Restaurante
Av. Angélica, 2435 – Higienópolis, perto da Av. Paulista.
Tel: 011- 3257-0390 Site: www.salommao.com.br

quinta-feira, 24 de março de 2011

Leporace



Nada melhor do que um bom e legítimo boteco pra atualizar ou, até mesmo, rever velhos assuntos com os amigos, como já dizia aquela saudosa canção carnavalesca – recordar é viver -, pois esse lugar existe e você pode, ou melhor deve, ir totalmente despido de pensamentos que não sejam os voltados para os momentos de diversão e, claro, de gravatas e paletós.
Esse boteco, um dos pioneiros da região, foi idealizado por um grupo de amigos que, partilhando o gosto comum pela boemia, alimentavam o sonho conjunto de criar um lugar que reunisse ambiente simples, agradável e com serviço cordial, qualidades procuradas pelos legítimos botequeiros, que deixam o tempo fluir no mais perfeito estilo a vida é bela e amanhã é outro dia.
Assim nasceu o Leporace, despojado, jeitão simples, localizado em uma esquina do Campo Belo, no cruzamento das ruas Vicente Leporace e Edison, que Rua Edison 1362 (esq c/ Vicente Leporace) Campo Belo - SP - Fone 5044 0948 Segunda a Sexta das 7hs à 01:00h Sábados das 12hs à 01:00h Domingos das 12 às 24:h aposta, com sucesso, no feliz casamento cerveja gelada e bom churrasco.
No campo etílico, inovou no serviço da cerveja que chega à mesa gelada e dentro de baldinhos com gelo, lá você pode aderir ao interessante Clube da Cerveja. Nos moldes do já conhecido clube do whisky, também disponível no Leporace, o das loiras, ruivas e morenas funciona com a reserva de um engradado contendo 24 unidades que fica a sua disposição, com a vantagem de pagar menos em relação ao consumo por garrafa, além de deixar garantida a sua marca preferida.
Como já comentado, a união inquestionável, como a tradicionalmente famosa no campo dos doces – goiabada com queijo –, lá o en lace muito comemorado é o das cervejas com os belos cortes de carne, tradicionais ou típicos argentinos, levados à grelha e servidos no ponto desejado.
Pode-se começar aperitivando com corações de frango ou queijo de coalho grelhado e, à medida que a conversa vai evoluindo, partir um bife de chourizo super suculento ou, quem sabe, uma picanha invertida, show de bola. A brincadeira não para por aí, existem outras opções saborosas como as costelinhas de porco, as coxas da asa de frango acompanhadas por um molho à base de rapadura ou, ainda, escolher um dos vários tipos de linguiças oferecidas no cardápio, muito bom.
Tudo isso pode ser escoltado por aipim frito ou pelos pastéis especiais da casa, confira o de pernil com um toque de pimenta biquinho.
Nessa toada, não esqueça jamais de levantar inúmeros brindes enaltecendo a amizade, afinal de contas a felicidade impera nesses momentos que podemos partilhar com os amigos. Saúde.

Leporace Grill
Rua Edison 1362 (esq c/ Vicente Leporace)
Campo Belo - SP - Fone 5044 0948
Segunda a Sexta das 7hs à 01:00h
Sábados das 12hs à 01:00h
Domingos das 12 às 24:h

segunda-feira, 21 de março de 2011

FRANGÓ - Um boteco de alma própria


Freguesia do Ó, um dos bairros mais populosos e antigos da capital paulista, ainda guarda características coloniais, mantidas pela permanência de casarões antigos que nos fazem sentir a tranqüilidade do interior, onde saborear uma cerveja geladinha, uma boa cachaça da roça, jogando conversa fora em uma mesinha na calçada, é uma rotina das mais prazerosas.
Pois é, no coração desse bairro tradicional localizado à noroeste da cidade, mais especificamente, na Praça da Matriz de Nossa Senhora do Ó, nasceu um bar cujo nome se tornou verdadeira marca registrada. Estou falando do Frangó, fusão da especialidade inicial da casa com o Ó da Santa Padroeira.
Instalado num casarão do século XIX cuja fachada foi tombada pelo patrimônio histórico, o Frangó possui, além de algumas mesinhas dispostas na calçada, dois ambientes, o superior e o salão inferior, mais animado e super decorado com painéis de produtores de vários países.
As bênçãos de Nossa Senhora, a dedicação e competência dos sócios, o bom atendimento e o serviço de primeira, deram a merecida fama ao Frangó que,acrescidos da paixão e profundo conhecimento do Cervejólogo Cássio Piccolo, consagrou a casa em Templo da Cerveja da capital paulistana, sendo referência nacional das loiras, ruivas e morenas. Lá você pode mergulhar, sem medo de ser feliz, no mundo das cervejas, selecionando entre leves ou encorpadas, claras ou escuras, de aromas intensos ou sutis, elegendo aquelas que oferecem maior prazer. Caso o seu conhecimento no assunto seja limitado, não tem problema, é só solicitar auxilio ao atencioso Beer Sommelier Fabiano que ele terá o maior prazer em ajudar na seleção dentre os 250 rótulos existentes na casa, procedentes dos quatro cantos do planeta, explicando as particularidades de cada uma.
Agora para quem já é iniciado, a dica é pedir a carta de cervejas, muito prática, dividindo os néctares engarrafados por tipo de fermentação, como as Lager (baixa fermentação) Ale (alta fermentação) e as Lambic (fermentação espontânea). Além disso, pode-se escolher na carta um menu degustação e iniciar a noite de forma agradável junto com os amigos.
Para acompanhar essa maratona, ninguém é de ferro, abuse dos serviços da cozinha que prepara belos acompanhamentos como as irresistíveis punhetas de bacalhau, as deliciosas bruschettas ou o filé aperitivo preparado a Saint Patrick, puxado no molho a base de Guiness. Faltou algo?
É claro, não deixe de provar as imperdíveis coxinhas do Frangó, sucesso total, sequinhas e crocantes por fora e recheio de peito de frango desfiado com catupiri cremoso, tudo de bom.
Auf Ihr Wohl!

sexta-feira, 18 de março de 2011

No templo da boemia


Além do carinho pessoal que, de longa data, nutro pela casa localizada num pedaço gostoso da Vila Madalena, esse bar chamado Astor, consegue ser elegante sem perder o clima descontraído, adequado para os momentos de prazer em boa companhia. A idéia de resgatar a verdadeira boemia e a arte de botecar proposta na concepção do bar, é coroada de pleno êxito. Essa preocupação se revela na decoração ambiente, com toque retrô, valendo destacar o belo balcão montado no salão principal, garimpado pelos magos da noite, digo, pelos sócios proprietários de um antigo bar em viagem à Pensilvânia. Não menos charmoso é o salão localizado no piso inferior que conta com uma bela adega de poucos, porém bons rótulos de vinhos do velho e do novo mundo.
Outro destaque local da maior importância, é o bar man, quesito nota 10 no Astor que não só mantém, como enaltece o profissional da ciência que trata das formulações etílicas. Nesse departamento, reina o mestre Pereira, responsável pela reprodução com maestria de drinques clássicos, famosos ou populares, para o deleite dos apreciadores de um bom Martini, um Caju Amigo, um Belini, um Mojito, um Kirr Royal, um Bloody Mary e claro, saborosíssimas caipirinhas, além de dar um toque pessoal, inovar ou criar variantes em vários outros coquetéis.
Se do lado interno do balcão o comando dos copos e garrafas está garantido, do outro lado uma equipe competente, atenciosa e muito bem preparada, sob a batuta do Maitre Silva, complementa a obra realizando um trabalho de mesa cortês, incluindo o serviço eficiente do chopp tirado com precisão e o controle do concorrido Clube do Whisky.
Como não se vive só dos líquidos, outro 10 para o Astor, desta vez no quesito culinário, com uma seleção de ótimos petiscos, com destaque para a porção mista de canapés, as almôndegas levemente picantes e a porção de pastéis. Já as Madeleines (panelinhas com especialidades da casa) são um capítulo à parte.
A de frutos do mar é imperdível. Um detalhe legal no Astor é a seleção de queijos e frios de ótima qualidade, que podem ser escolhidos ao gosto do freguês, utilizando um pequeno formulário e lápis disponíveis em todas as mesas. Uma iguaria que não se pode deixar de mencionar são as ostras catarinenses que chegam  fresquíssimas às sextas-feiras, servidas sobre uma camada de gelo, deliciosas com gotas de limão e uma pitada de pimenta do reino moída na hora.
A marca da boemia também se faz presente no cardápio que oferece pratos clássicos que saem da excelente cozinha, como Strogonoff, Linguado à meniere, o Bife à milanesa com purê de batatas, se preferir substitua o bife por língua.
Um must nas velhas e boas madrugadas.
Ou ainda, o imbatível Filé Chateaubriand, tudo isso sem esquecer da opção mais botequeira, o Picadinho de filé na ponta de faca, completíssimo. Para fechar, pudim de pão da vovó e não se fala mais nisso.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Café Journal


Imóvel dividido em três ambientes distintos, um mais intimista, outro mais descontraído e um terceiro, mais recente, reservado para os apreciadores de bons charutos, todos com decoração na linha do rústico chique, com paredes de tijolo aparente e peças resgatadas de antigas construções,formam o elegante Café Journal, localizado no coração de Moema, mais precisamente, no cruzamento da Alameda dos Anapurus com a Avenida Jandira.
O lado intimista cria um clima romântico, conta com um espaço cultural alternativo, onde artistas convidados apresentam suas obras que podem ser adquiridas no próprio local. No outro ambiente, indicado para um bom bate papo entre amigos, do tipo jogar conversa fora deixando o tempo f luir sem as preocupações do dia a dia. Ali a descontração fica por conta da proximidade com o bar, muito bem provido, diga-se de passagem e com o “segredo revelado”. Segredo, pela qualidade surpreendente de seu conteúdo, só desvendado para os que se aventuram em seu interior e, revelado, graças à parede de vidro que provoca, intencionalmente, o imaginário, até mesmo dos menos curiosos diante das inúmeras garrafas perfiladas em mosaico desenho. Estou falando da Angel’s Share, belíssima adega com capacidade para acondicionar cerca de 7.000 unidades de vinhos de rótulos variados, procedentes dos principais países produtores, tanto do velho como do novo mundo, para o deleite tanto de iniciantes como de iniciados no universo de Baco.
O terceiro ambiente abriga um novo projeto do Café Journal, que numa iniciativa arrojada, firmou contrato com a Casa Del Habano, disponibilizando aos apreciadores dos legítimos cubanos um espaço aconchegante e confortável, itens imprescindíveis para se degustar um Puro em sua plenitude, com uma sala aquecida por uma bela lareira, para os dias mais frios e uma área descoberta para as noites estreladas e temperaturas mais amenas. Além disso, você pode contar com uma carta que sugere harmonizações entre charutos e destilados, serviço de guarda em espaço com controle de umidade e uma bela loja com muitas preciosidades da terra de Fidel.
Tudo isso, sob a batuta do jovem, empreendedor e talentoso Denis Rezende, proprietário, que com maestria soube transformar uma simples choperia em um local de charme e bom gosto, aliada à fama do sócio jornalista “expert” em fórmula 1, Reginaldo Leme e da bem montada equipe de profissionais, constituem os ingredientes fundamentais para o sucesso da casa e felicidade dos convivas que ali aportam, tanto para o famoso câmbio trabalho/lar como para um agradável início de noite.
O cardápio com boas opções de petiscos e pratos criativos, possui uma página intitulada Harmonização. Nela constam sugestões tentadoras de combinações enogastronômicas, contudo, sem a pretensão de fechar a questão ou estabelecer regras nesse campo muito pessoal, na  verdade as sugestões instigam a criatividade dos que partilham dessa saborosa aventura. Nesse campo me chamou a atenção à deliciosa proposta do mix de bruschettas com um belo pinot noir do novo mundo. Outra tentação são os croquetes de presunto cru com queijo gruyere acompanhados por uma creme bechamel levemente picante.
Naturalmente que o leque das ofertas etílicas não se limita aos Cabernet Sauvignons, Shiraz, Tempranillos ou Chardonnays, o Café Journal oferece o clube do whisky, uma tímida, porém boas opções de cervejas entre nacionais e importadas, contando, não regularmente, com o chopp irlandês Guiness, além é claro de drinques diversos e caipirinhas de frutas preparadas no ponto certo. Em lugares como esse, a gente entende o velho ditado do bom boêmio “a noite é uma criança”.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dona Felicidade

  Por Miguel Lopes


Lapa, distrito dos contrastes, do burburinho representado pela zona do mercado municipal às ilhas de tranqüilidade formadas pelas áreas residenciais. É nesse contexto que se misturam o velho e o novo, setores produtivos mesclados com o comércio e o lazer que fica localizado na Vila Romana, bairro de vocação industrial, pelo menos nos meados do século XX e que, atualmente, vem passando pelo rolo compressor da construção civil em claro processo de transformação patrocinado pelos ventos da modernidade, singrados por outro tipo de indústria: a Imobiliária.
Para nosso regozijo, porém, um oásis especialmente voltado ao relax, ocupando um antigo galpão industrial, muito bem adaptado, está o bar e restaurante Dona Felicidade.
Sob a supervisão direta da proprietária que empresta o seu nome ao bar, com o auxílio competente de seus dois filhos, Toninho (atencioso, gentil e, ao mesmo tempo, firme na administração) e Sérgio (a simpatia em pessoa, faz o social como ninguém, sem perder de vista a qualidade dos serviços) e tocado por uma equipe de profissionais fiéis e experientes, transforma esse bar num dos poucos lugares que nos faz sentirmos em casa.
Um lugar especial, pois, com o seu pé direito privilegiadamente alto, permite uma boa ventilação do salão, promovendo um convívio pacífico entre os adeptos do tabaco com os que preferem manter o paladar isento de sabores que não sejam os de sua bebida preferida, acompanhada de um bom petisco.
Assim é o Dona Felicidade, com seu longo balcão emoldurando o bem servido acervo de destilados, vermutes e licores, sem falar no estoque de cervejas, cujo resfriamento tem uma atenção especial, herança trazida de outros carnavais, chegam à mesa sempre no ponto correto. Outro capítulo de grande envergadura são as opções de whiskies canadenses, irlandeses, americanos e, naturalmente, escoceses de vários graus de envelhecimento, incluindo, para os mais exigentes, o excelente Blue Label ou o místico Royal Salute. Ainda no universo dos destilados, peça a carta de cachaças, você se surpreenderá.
Freqüentado por casais e grupos de amigos na faixa etária consciente do verdadeiro valor dos momentos destinados a uma boa conversa, possuem boa distribuição, permitindo o conforto necessário para, diante de uma oferta bem sortida de petiscos típicos de boteco, quesito da maior importância, a indispensável prática universal da verdadeira botecagem, claro, em boa companhia.

 Já que tocamos no assunto que mexe com o estômago, entre a variada seleção, comece com um torresminho ou um bolinho de bacalhau, ambos sequinhos e crocantes, itens fundamentais para realçar a sede. Na seqüência, a alheira da casa é a melhor pedida: agora, se a vontade passar por algo mais exótico, peça a tradicional sardinha portuguesa na brasa ou escolha a rã empanada, levemente temperada, passando por ovos e recebendo uma fina camada de farinha, frita na hora, chegando à mesa quentinha, macia e de sabor delicado, para paladares conhecedores de finas iguarias. Se, depois de tudo isso, bater aquela fome, sem problemas, não precisa mudar de endereço, chame o garçom e pergunte sobre o carré de cordeiro: é de dar água na boca.

Além do alto astral que domina a atmosfera, não poderia deixar de mencionar um pequeno detalhe, mas de grande significado, que colabora de modo irrefutável na ampliação desse momento mágico do dia, principalmente para os que não conseguem se desligar, totalmente, do fator tempo. Estou falando de um relógio, isso mesmo um relógio, belíssimo por sinal, instalado na saída do bar, que marca, invariavelmente, 21h10min, revestido do poder de tranqüilizar quem o consulte, mesmo que, na verdade, a noite já tenha ultrapassado as 2h da madrugada, se é que me entendem. Ciao!


sexta-feira, 4 de março de 2011

Platz Bar - A verdadeira happy hour

Por Miguel Lopes

Na inauguração deste novo veículo de comunicação, voltado às coisas boas da vida, recebi como meta (das mais prazerosas por sinal) oferecer ao leitor dicas e sugestões para um dos momentos mais importantes e, por que não, delicados e de pura descontração. Estou falando daquele intervalo que costumamos reservar para o relaxamento pós-jornada de trabalho, não se tratando, porém, de uma apologia ao bar ou à bebida.

Na verdade, o que se pretende é apresentar locais agradáveis para quem, diante das pressões, competições acirradas e corre-corres do dia-a-dia e antes do retorno ao conforto do lar, doce lar, decidem por um pit stop para uma atenuada ou desacelerada no ritmo, ou seja, não levar serviço pra casa... Nesse intervalo, batizado pelos gringos de happy hour e jocosamente ironizado naquela propaganda comercial com a pretensa tentativa de rebatizá-la, é que se pode ajustar a sintonia cerebral diante da companhia de amigos (as) num ambiente amistoso, com serviço atencioso, sorvendo goles de nossa bebida preferida e brindando à vida que, sem sombra de dúvida, vale a pena.

Pois é, entrando nesse clima, uma dessas ilhas de relaxamento fica localizada em um pedaço tranqüilo do Campo Belo, o que a torna um daqueles lugares bem no estilo “bar de bairro”, com jeitão caseiro, clima amistoso e acolhedor. Freqüentado por moradores da região, amigos e casais, é, sem sombra de dúvida, um ambiente ideal para uma conversa descontraída onde não se percebe o tempo passar. Assim é o PLATZ, capitaneado pelo mais que simpático casal Mônica e Alberto, proprietários do Restaurante Florina, com o qual divide parede. São verdadeiros anfitriões que fluem com naturalidade na arte do bem receber, como se cada pessoa que ali chega fosse um amigo de longa data. Nessa atmosfera de energia positiva, pode-se optar por uma boa cerveja, um chopp tirado no ponto, apreciar uma bela caipirinha, sorver pequenos goles do seu whisky predileto ou, até mesmo, para os enófilos, degustar um bom vinho, acompanhado de petiscos de excelente qualidade, muitos deles com sotaque germânico. Somando-se a tudo isso, a facilidade de estacionar seu carro, temos a verdadeira happy hour.


Saúde!

Bar do Mês – Destaques da Free Time Magazine


Miguel Lopes
A partir de agora vamos postar em nosso Blog os bares que são destaques nas edições da Free Time, na coluna Bares e Botecos que tem como colunista o nosso confrade Miguel Lopes.

Iniciamos com 17 estabelecimentos, com objetivo de mostrar ao leitor as diversas opções que São Paulo tem, seja para curtir o happy hour ou bons momentos com seus amigos, família e companheiros. Esperamos que você aproveite ao máximo todas as informações e que deixe-nos sua opinião e até sugestões.

Atenciosamente,

Os Botequizados